LUA VERMELHA

 

Capítulo II

 

O TEMPO foi passando, mas Rasputin finalmente havia sido convencido pelas bruxas e por sua própria esposa de que a melhor solução era tê-las por perto. A chegada das crianças agora era mais do que certa, cada vez mais as visitantes conseguia se aproximar mais do povoado do vilarejo.

Uma manhã que Rasputin foi acordado por um dos moradores do local:

– Rasputin, corra, o sol, o sol não apareceu.

O homem se levantou da cama e rapidamente saiu para o lado de fora, onde pôde ver que não havia sol naquela manhã, ainda na duvida ele perguntou ao rapaz:

– Você tem certeza que já amanheceu? – naquele tempo não havia relógio para controlar o tempo.

– Sim, fiquei de guarda a noite toda, vi a lua indo embora, mas o sol não deu lugar a ela.

– Isso só pode significar que o dia chegou, a qualquer momento o sol dará lugar a lua vermelha, meus filhos irão nascer. – empolgado Rasputin correu para dentro da casa. – Elga, é hoje meu amor. – mas foi surpreendido por Talia que já estava ajudando sua esposa que havia entrado em trabalho de parto.

– Vamos Rasputin, pegue alguns panos, preciso de ajuda aqui.

Assim que homem saiu do local, ela olhou para uma das suas ajudantes e disse:

– Envie o sinal.

Desconfiada, Elga mesmo sentindo as dores do parto, gritou:

– Que sinal é esse? Do que você está falando Talia.

– Não é nada, apenas vamos criar a barreira de proteção, para caso eles cheguem, temos que tomar qualquer cuidado agora.

– A barreira de proteção já está criada, Rasputin. – gritou a mulher, que logo teve sua boca tampada por uma das ajudantes.

– Evitem que ele venha, precisamos tirar as crianças.

Quando o bruxo se aproximou, uma das mulheres o atacou:

– Teraki. Sarphitus. –  várias cobras saíram de um portal criado pela bruxa e foram na direção de Rasputin, que não teve outra opção a não ser sair da casa para se defender.

– Renma. Espiratu. – haviam rosas plantadas ao redor da casa e essas plantas ganharam vida, atirando seus espinhos contra as serpentes. – Preciso de ajuda, elas estão com a Elga.

A lua vermelha finalmente apareceu, sua luz era tão forte quanto a da lua cheia, mas fazia a terra mudar, as águas pareciam sangue, o solo era como a lava e o azul do céu dava lugar ao vermelho do fogo.

Outros bruxos brancos começaram a chegar para ajudar Rasputin, mas foi então que todos foram surpreendidos por demônios, todos com seus rostos cobertos com suas longas asas negras abertas.

  Do lado de dentro a primeira criança nascia, era uma menina, uma linda bebê de cabelos vermelhos. Talia retirou a criança e entregou para a sua ajudante.

– Renma. Slakra.  – Um dos bruxos disse essa palavra, e várias folhas que estavam no chão se levantaram.

– O que acha que vai fazer com essas folhas? Vocês estão perdidos, dessa vez nem os anjos os ajudarão, aqui tem muita magia negra, eles não virão ajudar.

O bruxo apontou com seu dedo indicador para os demônios e as folhas foram na direção deles, como se tratavam de plantas eles nem se moveram, mas logo seus olhos ficaram arregalados, os demônios se ajoelharam e caíram.

– Não subestime o poder da natureza, as folhas se tornaram lâminas e os que ainda estão vivos, vão morrer da mesma forma.

Rasputin finalmente conseguiu enfrentar a bruxa de igual para igual. Com um chicote de plantas enrolou o pescoço da bruxa que tentou se debater e contra atacar, mas logo estava no chão.

– Leve ela daqui. – ordenou a líder que levasse a menina assim que percebeu a entrada de Rasputin.

– Meu bebê, traga ela de volta. – gritou o bruxo ao perceber que a mulher saía  pela janela.

– Rasputin. – fraca, Elga tentou ajudar o marido, mas ela não tinha forças para usar sua magia.

– Teraki! – as palavras da bruxa indicavam uma invocação, mas logo foram inibidas por Rasputin.

– Renma. Labian. Vocês acham que porque usam magia negra, podem ser mais fortes que nós, vocês incendiaram minha fúria bruxas. – o bruxo havia bloqueado a fala de Talia. – Renma. Rapka. – Talia foi jogada com uma técnica psíquica para fora da casa. – Renma. Espiratu. – todos os espinhos do vilarejo que estavam do lado de fora atacaram Talia a matando ainda no ar. – Vamos Elga, precisamos sair daqui. – a tentativa de Rasputin foi bloqueada pelos gritos dos bruxos da aldeia. – Espere um minuto amor, eles precisam da minha ajuda, não saia daqui.

Do lado de foram os bruxos estavam sendo mortos, um a um, mas quando Rasputin chegou ao local, ele pôde ver quem era seu verdadeiro inimigo.

– Não tentem resistir, viemos apenas buscar as crianças, resistir é apenas adiantar sua morte. – disse um dos quatro que vestiam mantos pretos cobrindo o corpo todo. – Um deles já se encontra no nosso poder, onde está o outro?

Um dos bruxos da aldeia tentou atacar o que falava, sem nem ao menos encontrar nele, seu corpo foi totalmente despedaçado.

– Será que vocês não entendem, que com magia branca não conseguem superar nosso poder, o que pretendem fazer com essas plantas. – os outros três riram. – Não somos apenas demônios, somos os quatro anciões que regem o inferno, até a vinda do nosso novo imperador, substituto de Lúcifer, que vocês ajudaram a matar.

– Vocês acabaram com a nossa vila, mataram nosso povo, levaram a minha criança, não deixarei que levem a outra, não subestime o meu poder. Elga corre.

– Não deixem que ela fuja – disse o ancião para os outros.

Quando Rasputin disse aquilo, Elga já estava bem longe, o senso de percepção dos bruxos era altíssimo, ela sabia que se ficasse por ali estaria morta, e decidiu fugir no meio da floresta. Ainda franca por conta do parto, ela tentava correr, sua outra criança, um menino, que estava nos seus braços ainda ligado pelo cordão umbilical. A criança chorava, e Elga tentava acalma-lo.

Um dos anciões a que tinha voz feminina conseguiu sentir a energia da bruxa, mesmo que fraca na direção da floresta. Os outros dois que também sentiram, queriam ir atrás de Elga, mas foram impedidos pela fala anciã:

– Não precisamos nos preocupar, eu cuido disso, ou melhor, eles cuidam. – a anciã bateu duas palmas levemente. – Empurus. – como se caíssem do céu, vários homens com pele, rabo e garras de lagartos apareceram. Apenas com olhos brancos que se destacavam na pele negra, eles correram na direção da floresta de uma forma ágil, jamais vista.

– Desista bruxo, você não tem como me vencer, será morto em segundos.

– Cale a boca. – Rasputin estava irritado, lágrimas corriam pelos seus olhos, ele sabia que não veriam mais um de seus filhos, mas precisava se vingar de todos e proteger Elga. – Me desculpe meu amor. Renma, Hashrata. – seu corpo ficou imóvel, uma forte energia foi sentida pelo ancião.

– Saiam daqui agora. – gritou o ser do inferno.

O corpo de Rasputin explodiu como uma bomba e de dentro dele uma forte quantidade de luz se espalhou para todos os lados, dizimando qualquer força negra que estivesse por perto. Todos os anciões conseguiram fugir antes que fossem atingidos. A aldeia estava totalmente destruída.

Elga continuava correndo, sem saber que estava sendo perseguida pelos monstros da anciã, a bruxa foi surpreendida, quando chegou a um beco sem saída, a enorme cachoeira que ficava ao lado da aldeia. Se voltasse poderia ser pega pelos demônios, sem falar que vinham, se pulasse com toda certeza morreria, junto com a criança.

Foi então que Elga foi surpreendida pelos monstros da anciã. Seus olhos brancos não enxergavam a mulher, mas sim o calor do seu corpo. O som emitido pelos monstros era horripilante, pareciam querer avisar que a haviam encontrado.

Elga estava desesperada, mas não conseguia enxergar outra solução, ela não conseguira ver seu filho com aqueles demônios, foi então que em uma atitude desesperada Elga pulou na cachoeira. Não havia como nenhum dos dois ter sobrevivido a queda. Os monstros ainda foram até a borda do local para ver se enxergavam alguma forma de calor, mas nada viram, logo os anciões chegaram:

– Obrigado pela ajuda, meus amores – disse a mulher os fazendo desaparecer.

– Infelizmente perdemos um deles, mas essa aqui será de grande proveito, daqui a algumas centenas de anos, ela acordará e servirá aos propósitos do inferno.

O bebê que estava no colo do ancião estava tranquilo, ela não ainda não fazia ideia do que estava para acontecer.

O Autor
Professor de línguas estrangeiras, formado em administração de empresas, Danilo Vecchi vive na cidade de Londrina no Paraná. "Além do Céu e do Inferno" é o primeiro livro de uma saga e seu romance de estreia.
Sinopse
No meio de uma guerra que durava mais de 400 anos, Natalie Zeniek se viu entre as forças do bem e do mal, onde anjos e arcanjos a protegiam, seres da escuridão a feriam e um demônio, que nem mesmo sabia o significado desse sentimento, a amava.
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