LUA VERMELHA

 

Capítulo I

A LUA estava linda naquela semana, sua luz iluminava toda a floresta deixando o ambiente mais belo. Parecia que algo estava para acontecer naquele pequeno vilarejo escondido no meio da mata.

Em 1600 as florestas eram mais densas, não havia desmatamento constante como nos dias atuais, por isso chegar até aquele lugar era um pouco complicado, consequentemente sair também, o que obrigava os habitantes daquele local a produzir seu próprio alimento e praticamente viver quase toda a sua vida dentro daquele ambiente.

Aquilo não parecia problema para nenhum deles, já que tudo que eles precisavam era viver em harmonia com os elementos que a natureza os fornecia, como a água de uma linda cachoeira próxima, frutas e animais que também viviam naquele local.

Uma linda mulher caminhava lentamente pelo bosque, ela estava grávida. Seu rosto sereno transmitia tranquilidade e segurança. Ela seguia para uma casa simples, provavelmente onde morava, assim que chegou a porta, foi recebida por um homem de barba comprida, vestindo calças largas, uma longa camisa branca, com um imenso sorriso o homem a recebeu:

– Que bom que você chegou meu amor, estava ficando preocupado com você. – ele parentava ter a mesma idade da mulher, seus trinta e poucos anos.

– Fui apenas dar uma volta, as crianças estavam inquietas. – parecia que a mulher esperava gêmeos, pelo tamanho da sua barriga.

– Eu sei disso Elga, mas você precisa repousar, falta pouco tempo para as crianças chegarem nesse mundo, toda a segurança é pouca, já que a lua logo ficará vermelha.

– Meu querido Rasputin, isso é maravilhoso, o vermelho da lua representa o novo começo, eles são o novo começo, uma nova geração para o novo povo.

– Sim, mas vamos, agora está na hora de descansar, as crianças devem estar com fome também.

Os dois entraram para a casa e por lá ficaram. Aquele lugar era bem pequeno, havia oito casas simples, provavelmente o número de pessoas que ali moravam não era grande, mas só pela manhã seria possível descrever isso, já que tudo agora estava silencioso.

E foi assim que aconteceu, a lua cheia ao passar do tempo foi embora, e no seu lugar um forte sol iluminava a floresta, o som das corujas e morcegos deu lugar ao o canto dos pássaros e ao leve sopro do vento.

À medida que o sol ficava mais forte, as portas das casas eram abertas e por elas saiam pessoas que se vestiam da mesma forma, roupas largas e simples. As mulheres usavam seus longos cabelos soltos e os homens suas longas barbas. Havia alguns jovens que aparentavam ter seus dezoitos anos, mas nenhuma criança.

– Bom dia a todos. – Rasputin saiu da sua casa e cumprimentou a todos que estavam no local.

Era possível ver que os moradores do vilarejo não passavam de vinte pessoas, todos se reuniram no meio de mãos dadas e disseram em uníssono:

– Renma! – Aquela palavra simbolizava o início de uma espécie de agradecimento. – Agradecemos por mais um dia de vida, e pelo nascimento de mais dois filhos da luz, esperamos que nos conceda vida, alegria e amor para continuar nossa missão na terra.

– Hai! – Confirmaram todos dos outros. – Vamos precisamos voltar ao nosso trabalho. O almoço será servido ao bater do terceiro sino.

Todos se dispersaram e seguiram seus caminhos, alguns adentraram na floresta, outros cuidavam das plantas do próprio vilarejo, mas a forma que eles as cultivavam era completamente diferente, eles usavam uma espécie de magia para o cultivo. A garota mais nova erguia uma de suas mãos e pequenas sementes flutuavam se encaixando perfeitamente na terra, com a outra mão ela regava as plantas, era como se ela utilizasse a quantidade exata de água para cada uma delas.

Do lado de fora, os homens percorriam a floresta, alguns fechavam seus olhos, procurando por algo:

– O vento está nos guiando, a natureza precisa de ajuda.

Todos correram até um determinado ponto, onde encontraram uma árvore que estava morrendo, um dos homens colocou suas duas mão sobre o troco da árvore e disse:

– Renma, Florata! – a cor morta começou a ganhar vida, as folhas que já estavam amareladas voltaram a ficar verde e os galhos se alongaram.

– Veja. – disse o outro homem apontando para os grandes frutos que nasciam.

– Ela está nós agradecendo e nos presenteando com seus frutos.

De volta ao vilarejo, Rasputin, Elga e outra mulher preparavam a refeição dos demais, enquanto conversavam sobre o nascimento das crianças.

– O nosso clã está cada vez maior e isso é muito bom, achei que nossa raça iria desaparecer para sempre. – disse o homem.

– Na verdade a nossa raça desapareceu meu amor, todos somos mímicos, não somos puros.

– Mas essas crianças vieram para mudar isso, a lua vermelha é o sinal de que tudo vai mudar. Há muitos anos a lua não dá sinal de que o nascimento de puros está planejado.

– Os genes originais de vocês finalmente decidiram se unir, e o melhor é que duas crianças estão vindo. – disse à mulher que os ajudava. – Você tem muita sorte Elga, o nosso povo têm muita sorte.

– Mas até que tudo dê certo precisamos ficar aqui, essas crianças quando evoluídas, serão tão fortes quanto os anciões do inferno, foi por causa deles que nosso clã foi destruído. – Rasputin parecia irritado quando se lembrava desse assunto – Nunca fizemos nada para interferir na vida de ninguém, nossa magia branca foi confundida com a negra.

– Aquelas bruxas que ajudaram na destruição de Lúcifer, foi por conta delas que hoje vivemos escondidos. – completou Elga.

– Rasputin, Rasputin. – gritava um jovem do lado de fora. – intrusos chegando.

O homem desesperadamente, correu para o lado de fora.

– Tem gente vindo para cá, são várias mulheres.

– Chamem todos de volta para aldeia. – ordenou o homem.

Aos poucos todos foram retornando para a aldeia e voltando aos seus trabalhos internos, sem a utilização de magia, parecia um combinado para a chegada de estranhos, que pelo local não era tão comum.

– Se elas passaram pelo portal, vocês já sabem o que elas podem ser. – disse Rasputin a todos que prestavam atenção nas suas palavras. – Fiquem de olho.

Uma mulher seguida de mais quatro chegou ao local, todas pareciam bem cansadas, foi então que a que estava na frente disse:

– Precisamos de ajuda, fomos atacadas e nos perdemos no meio da floresta.

– Calma senhora. – disse Rasputin indo ao encontro dela. – Como você se chama?

– Meu nome é Talia. Essas são minhas companheiras. – o olhar da mulher foi desviado para Elga que segurava sua barriga olhando para as mulheres.

– Vamos servir o almoço em instantes, vocês podem se juntar a nós, depois ensinaremos o caminho de volta.

As mulheres ficaram empolgadas, e logo arrumaram um canto para aguardar o almoço. Talia ofereceu ajuda que foi recusada por Rasputin de forma cordial, para que o homem pudesse ficar na cozinha sozinho com sua esposa e a outra mulher.

– Você sentiu a energia delas? – perguntou Rasputin.

– Sim, são bruxas de magia negra. O que elas estão fazendo aqui? – Elga estava preocupada.

– Eu não sei, mas com toda certeza elas devem desconfiar de nós, qualquer bruxa sentiria a força ao atravessar a barreira.

– Vamos servir o almoço meu amor, quem sabe elas não vão embora.

O almoço foi servido, todos se reuniram ao redor da mesa, mas tentaram evitar qualquer assunto, para não se contradizer perante as convidadas.

Assim que todos terminaram, as visitantes ficaram embaixo de uma árvore descansando, Talia então disse as outras:

– Pelo tamanho da barriga, são dois, os anciões ficarão felizes.

– Como você pretende enganá-los? – perguntou uma das ajudantes.

– Eles são bruxos, não podemos enganá-los facilmente e estamos em um número menor, apesar de que a magia deles é branca, ouvi dizer que é muito inferior a nossa, comandam a natureza. – Talia olhou para Rasputin que as observada e sorriu. – Não se preocupem, tudo vai acontecer no seu tempo.

Rasputin que já estava incomodado com as mulheres decidiu tomar uma decisão antes que escurecesse:

– Vou pedir para um dos meninos acompanhar vocês até o caminho mais próximo da saída, assim vocês encontrarão o caminho de volta para a casa.

– Mas, não podemos sair daqui agora, ficaremos…

– Escute bem, ninguém precisa enganar mais ninguém aqui, vocês não são bem vindas ao nosso vilarejo, já comeram, já descansaram, agora precisam partir.

– Você vai precisar de nós, seus filhos estão para nascer, e se não estiverem conosco, eles os pegarão.

– De quem você está falando? – a voz do homem ficou mais grave, quando ele percebeu que tudo tinha relação com as crianças. – Saiam já daqui…

– Dos anciões. – disse Talia. – Eles nós mandaram pegar todas as crianças recém-nascidas da região, mas vocês são como nós, não podemos fazer isso.

– Nós não somos como vocês, vocês fizeram um pacto para ter seus poderes, nossos dons são naturais.

– Vocês vão precisar de nós, com a nossa força podemos salvar essas crianças.

– Rasputin, ela têm razão. – disse Elga.

– Como posso saber se vocês falam a verdade? – perguntou o homem.

– Somente o tempo pode te responder isso.

O Autor
Professor de línguas estrangeiras, formado em administração de empresas, Danilo Vecchi vive na cidade de Londrina no Paraná. "Além do Céu e do Inferno" é o primeiro livro de uma saga e seu romance de estreia.
Sinopse
No meio de uma guerra que durava mais de 400 anos, Natalie Zeniek se viu entre as forças do bem e do mal, onde anjos e arcanjos a protegiam, seres da escuridão a feriam e um demônio, que nem mesmo sabia o significado desse sentimento, a amava.
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